terça-feira, 9 de outubro de 2018

Você realmente é um eleitor do Bolsonaro? Faça o teste!




Uma breve introdução para contextualizar:

O plano era perfeito. Primeiro se encontraria um pretexto qualquer para retirar a Presidente eleita do cargo, após se montaria um governo de ampla maioria, a economia voltaria a crescer com base em medidas amargas para o trabalhador assalariado e a popularidade do governo cresceria. A partir daí bastava prender o candidato mais competitivo da esquerda para impedir que o mesmo disputasse a eleição e, após isso, a eleição de um candidato moderado que agradasse o mercado e continuasse as medidas de austeridade do governo Temer seria o movimento natural.

Por milhares de motivos, que não vêm ao caso agora, o plano deu todo errado.

Como efeito colateral dessa aventura, se criou um monstro terrível. Racismo, misoginia, homofobia, machismo, violência… Jair Bolsonaro é a cara de uma parte da nossa elite retrógrada, egoísta, ignorante e hipócrita.

Esse candidato fez mais de 49 milhões de votos no primeiro turno da eleição. Definitivamente, não pode haver no Brasil 49 milhões de pessoas que compactuam com esses valores. Eu mesmo conheço boas pessoas, pessoas que amo, que votaram nessa monstruosidade, muito mais por medo e por um ódio insano que foi disseminado por anos do que propriamente por qualquer lógica racional. Esse ódio dificulta que enxerguemos a gravidade do que está por acontecer.

Se você compactua com os ideais do Bolsonaro, deve mesmo votar nele, pois afinal, assim que deve funcionar a democracia, mas se não, talvez deva refletir um pouco. E como saber se você realmente compactua ou se você está apenas sendo iludido por essa onda de insanidade maluca que tomou conta do país?

Desenvolvi um teste muito simples para isso, que consiste no seguinte:

Chame alguma criança que você ama para junto de você (filho, neto, afiliado, sobrinho...) e assista, ao lado dessa criança, o vídeo que colocarei abaixo, inteiro, são apenas 5 minutos.

Ao final do vídeo, olhe bem nos olhos dessa criança e diga: - Eu votarei nesse homem para ser Presidente do Brasil!!!

Se você conseguir dizer isso sem constrangimento ou vergonha, então vote no Bolsonaro. Mas, se você não conseguir dizer isso para a criança inocente ou sequer consiga chegar ao final do vídeo, talvez você não devesse votar nesse candidato, sob pena de talvez se arrepender muito das consequências futuras dessa atitude.

Segue o vídeo:



Sobre o segundo turno dessas eleições, em que pese todos os erros e rejeição ao PT, o Fernando Haddad foi um bom Ministro da Educação e um bom Prefeito, mas o mais importante mesmo é que é uma pessoa CIVILIZADA.

Essa eleição não se define a direita contra esquerda, ou a uma disputa de extremos, como parte da mídia maldosamente faz questão de colocar. Essa eleição é uma disputa entre civilização e barbárie, entre a esperança e o medo. E, se você escolheu o lado da civilização, não é hora de ficar quieto assistindo às atrocidades que estão acontecendo.

Como o vídeo anterior deve ter chocado alguns, vou encerrar o texto com um vídeo bem mais leve,da nova música do Nando Reis. A letra é primorosa. Segue o link abaixo.

Desejo a todos muita PAZ no coração!!!




Rock 'n' Roll
(Nando Reis)

Em algum momento, virou o tempo
Um deslizamento derramou cimento
Entre a loucura e a razão
Já não há silêncio, tudo é barulhento
Muito movimento, pouco pensamento
Sobra opinião


Todos similares
Carregam nas mãos seus celulares
Rostos singulares
Se tornam vulgares em meio à multidão
Mas eu ainda canto meu rock 'n' roll
Eu ainda canto meu rock 'n' roll

Detritos nos mares, nos rios, nos lagos
Todos infestados com enxofre, chumbo e ácido
O imundo licor preto
Garrafas pet, cápsulas de Nespresso
Como espectros, durante séculos
Vagarão boiando pelos oceanos seus esqueletos

Não há nenhum ninho
Na grande ilha de lixo do Pacífico
Como um urso polar
Flutuando num bloco de gelo à beira da extinção
Eu ainda canto meu rock 'n' roll
Eu ainda canto meu rock 'n' roll

Conservadores e liberais usam as redes sociais
Pra divulgar os seus boçais ideais medievais
Como se fossem os dez novos mandamentos

Em presídios superlotados
Homens trancafiados, sendo decapitados
Seus corações arrancados
Já não causam mais nenhum estranhamento

Perdeu seu emprego
Quando revelaram seu segredo
Morrendo de medo
Foi crucificado com desprezo como um traidor
Mas ele ainda tem o seu rock 'n' roll
Ele ainda tem o seu rock 'n' roll

Pastores e censores, delatores, promotores
Senadores, corruptores, grandes trocas de favores
Na maior hipocrisia e desfaçatez
As transações tenebrosas das obras portentosas
Roubam somas vultosas bocas gananciosas
Esperando cada uma a sua vez

É crime o aborto
Mas não o é o roubo de um bilhão
Por um pacote de biscoitos
Ele passou mais de 20 anos na prisão
Mas ele ainda tem o seu rock 'n' roll
Ele ainda tem o seu rock 'n' roll

Todos de vermelho comungam de joelho
São fartos em conselhos, mas não olham pro espelho
Evitando o constrangimento da própria contradição
Vaca amarela guardou a panela
E a camisa amarela saiu da janela
Onde foi parar aquela balela da fúria e da indignação?


Não tenho as certezas
Dos hinos que grita a multidão
Mas finco a bandeira
Do arco-íris, viva a liberdade de expressão
Sertanejo, gospel, hip-hop, choro
Samba, funk e pagode, rap, rock 'n roll

A polícia dos costumes, chafurdada no estrume
Manipula seu o cardume, acendendo o vaga-lume
Aumentando o volume da sirene odiosa da repressão
Uma mão na bíblia, outra no coldre, repetindo seu slogan
Dente por dente, olho por olho
Bandido bom, bandido morto
Parece um contrassenso o argumento que armamento é proteção


Tudo é transgênico
No alimento que comemos
Mas negros, travestis e transgêneros
São assassinados, humilhados e tratados com discriminação

Com eles que eu canto esse rock 'n' roll
É com eles que eu canto esse rock 'n' roll

Toda nudez é inocente, até que a mente indecente
Dessa gente doente, de língua maledicente
Transforme a inocência da nudez da gente somente em perversão
Se Deus fosse consultado, qual seria o resultado?
Escolheria algum dos lados dos inimigos tresloucados
Lunáticos, fanáticos por suas crenças ou pela religião?

Uns creem no Gênesis
Outros na teoria da evolução
Buscando sossego, ele lê os gregos
Hesíodo e Platão
Mas eu ainda tenho meu rock 'n' roll
Eu ainda tenho meu rock 'n' roll

Na primavera, me disse a Vera
Eu vou, não me espera
Abriu-se uma cratera onde havia terra
Ela era a atmosfera e o meu chão
E eu sonho com ela, eu preciso dela
Sou louco por ela, a vida sem ela
É incongruência, desolação

O mundo não é mais o mesmo em que eu nasci
Mas eu continuo curando a tristeza
Com a beleza de uma canção

Por isso eu ainda canto meu rock 'n' roll
Eu ainda canto meu rock 'n' roll
Eu canto, eu canto o meu rock 'n' roll
Eu ainda canto, eu canto meu rock 'n' roll

E eu ainda canto, eu canto, eu canto rock 'n' roll
E eu ainda canto, eu canto, eu canto

terça-feira, 5 de junho de 2018

INTERVENÇÃO MILITAR? Não seja ingênuo!




A recente greve dos caminhoneiros trouxe à tona, mais uma vez, o assunto “intervenção militar”, como uma possível medida para retirar o atual Presidente do posto.

Mas pedir ou falar ou pensar em “golpe militar” nesse momento só beneficia a uma pessoa, exatamente ao Sr. Michel Temer, a mais execrável personalidade política da história da República, de acordo com o jornalista Luis Nassif. Falar em “intervenção militar” passa a sensação de que atualmente vivemos em condições de normalidade institucional plena, o que, definitivamente, não é verdade. Vamos aos fatos:

O Sr. Michel Temer chegou à Presidência através de um golpe. Embora até hoje haja todo o tipo de acrobacias teóricas para contestar essa tese, ela é absolutamente clara, uma vez que a manobra que cassou o mandato da Presidente eleita e levou Temer ao poder foi executada a partir de mudanças de conceitos legais e entendimentos históricos de tribunais, órgãos de controle, parlamento e instituições diversas. Mas não é esse o foco do texto, uma vez que esse assunto já foi bastante debatido. O foco é o que aconteceu após a posse do Sr. Michel Temer na Presidência.

Primeiramente, houve forte repressão aos movimentos que pediam a saída do ilegítimo Presidente. Em seguida, começaram a ser empurradas, em parceria com grande parte do Congresso, medidas e emendas à Constituição totalmente contrárias ao plano de governo vencedor nas urnas, medidas essas que privilegiam grandes empresários e especuladores financeiros, em detrimento da grande maioria dos brasileiros.

A PEC 241 congelou os gastos públicos por 20 anos, incluindo nesse congelamento setores importantes e já precários, como saúde e educação. Na prática, considerando o crescimento demográfico e as variações de receitas da União, significa a total impossibilidade de qualquer governo, pelos próximos 20 anos, aumentar investimentos em saúde ou educação, e pior ainda, significa a diminuição de recursos em relação ao que é investido atualmente. Isso, infelizmente, significa mais exclusão social, aumento da mortalidade infantil e mais mortes nas filas de postos de saúde e hospitais.

Seguiu-se e então com a tal “Reforma Trabalhista”, apresentada e votada em um tempo inacreditavelmente curto, sem discussão nenhuma com a sociedade e atropelando a oposição no Congresso. Essa atrocidade retirou direitos históricos consagrados dos trabalhadores brasileiros, permitindo a terceirização da atividade fim de uma empresa, trabalhos precários, trabalho de gestantes em ambientes insalubres dentre outras abominações. O projeto de Lei do executivo foi aprovado com facilidade na Câmara.  Os senadores, mesmo percebendo e apontando as desumanidades do projeto, não apresentaram emendas, dessa forma o texto não precisou retornar à Câmara e foi aprovado integralmente. Na prática, significa condições precárias e desumanas de trabalho, uma verdadeira tortura de milhões de pessoas por muitos anos. Essa insanidade levou o Brasil a entrar na “lista negra” da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como país que desrespeita as convenções internacionais do trabalho. Mais informações sobre essa fato vexatório para o país podem ser lidas aqui: 

Partiu-se então para a “Reforma da Previdência”, cuja proposta do Governo faria os brasileiros trabalharem até uma idade mínima maior que a expectativa de vida de várias regiões do país, ou seja, obrigaria milhões de brasileiros a contribuírem com a previdência durante toda a sua vida e trabalharem até o dia de sua morte. Curiosamente, essa proposta de “reforma” não incluiu  os militares, ou seja, esses não perderiam nenhum de seus direitos (e privilégios) atuais.

Os mesmos militares que ajudaram o governo na desastrosa intervenção na segurança pública do Rio de janeiro, que gastou bilhões de reais sem efeito prático algum. E, recentemente, ajudaram a desmantelar a greve dos caminhoneiros. O mais curioso é que vários brasileiros, em apoio aos caminhoneiros, pediram a tal “intervenção militar”, mas foram exatamente os militares que ajudaram o governo a acabar com a greve. Se você for um desses brasileiros, sinto te dizer que você fez papel de idiota. Segue abaixo um link da BBC que mostra o protagonismo, inédito desde a redemocratização, de militares em cargos de alto escalão do governo. É impressionante: 

Especificamente em relação ao preço dos combustíveis, que levou à greve dos caminhoneiros, a responsabilidade óbvia é da bizarra política de preços da Petrobras, que beneficia empresas estrangeiras e acionistas em detrimento da economia interna. Segue, para ilustrar, excelente texto do professor Juremir Machado sobre a relação quase "afetiva" entre os grandes canais de mídia brasileiros com o ex-diretor da Petrobras, Pedro Parente, e sua bisonha política aplicada na estatal, com aval do "Sr. Mishell Temer", segundo citação do próprio Juremir:

O professor mostra no link acima de maneira muito simples e didática que a atuação anti-nacionalista dos colunistas dos grandes jornais e canais de TV é assombrosa e muito clara. Todos sabem das gordas verbas publicitárias do governo (todos os governos) para a grande mídia, que serve muitas vezes como moeda de troca para um apoio junto à opinião pública. Mas a relação do atual governo com a mídia é muito mais forte que isso, é ideológica. Há diversas vertentes de economistas no planeta, com muitas ideias e bases ideológicas diferentes. “Coincidentemente”, no Brasil, todos os analistas de economia de todos os grandes veículos de comunicação (Globo, Band, SBT, Record, Veja, Estadão, Folha...) possuem exatamente a mesma opinião e a mesma "linha de raciocínio" sobre qualquer tema. Essa "linha de raciocínio" é exatamente a linha praticada pelo governo, que é a linha que privilegia o mercado financeiro em detrimento das pessoas, que mede cada aspecto da vida de cada ser humano através de cifras e valores de ações na bolsa. É a vertente entreguista, que beneficia os bilionários donos dos meios de comunicação do Brasil, os quais só poderiam mesmo estar em sintonia com o governo mais entreguista da história da República, que tenta, dia após dia, destruir qualquer resquício de soberania que possa existir no país e entregar cada pedaço do patrimônio público (físico, estratégico e intelectual) para empresas estrangeiras.

Para terminar a tragédia, temos uma justiça que age por conveniência, de acordo com o tempo e com as convicções mais apropriadas para o momento atual, pautada principalmente por esses setores da mídia que citei acima. Temos uma Presidente do Supremo Tribunal que se encontra fora da agenda, tarde da noite, com o Presidente da República investigado. A mesma ministra que deu o voto de minerva para manter o principal líder da oposição atrás das grades. A propósito, esse líder foi processado e condenado em duas instâncias em um processo muito questionado por diversos especialistas em direito do mundo todo, em um tempo recorde, jamais visto em qualquer outro processo no país, exatamente o tempo  hábil para que o mesmo pudesse ser impedido de disputar a eleição presidencial, o que deixa um indício muito forte de se tratar de uma prisão puramente política.

Recapitulando então:

- REPRESSÃO
- ASSASSINATOS
- TORTURA
- MILITARISMO
- MÍDIA CONIVENTE 
- JUSTIÇA CONTROLADA
- PRESOS POLÍTICOS

Eu certamente não temo uma intervenção militar e um regime de exceção, porque, definitivamente, já estou vivendo em um.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Será enterrada parte da história de São Marcos?





Meu nome é Daniel Rech, sou engenheiro e trabalho há anos na área de transporte e mobilidade. Nasci na cidade de São Marcos, uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, localizada na Serra Gaúcha.

Não importa o quanto longe se vá, não importa há quanto tempo se partiu, o local onde nascemos e crescemos irá sempre com a gente, é inevitável, define uma grande parte de quem somos. Quando recebi a informação de que está sendo planejado o asfaltamento da principal via central de São Marcos, que há mais de 60 anos é pavimentada com paralelepípedos, tive uma sensação de tristeza, mesmo não residindo mais na cidade.

Tecnicamente, esse projeto é questionável por diversos aspectos, a começar pela grande diminuição da taxa de permeabilidade do solo com a colocação do asfalto, o que é sempre preocupante, ainda mais em uma cidade que vem sofrendo com eventos de alagamento no centro cada vez mais frequentes.

O custo de manutenção de uma via asfaltada, da sinalização da mesma e das novas redes de drenagem que provavelmente serão necessárias será sempre mais alto em relação ao custo atual.

Especificamente em relação ao trânsito, a experiência nos mostra de maneira inequívoca que quando se asfalta uma rua, a velocidade média imprimida pelos veículos aumenta consideravelmente. Considerando que o excesso de velocidade é o principal fator de risco para “acidentes” de trânsito e atropelamentos, além de ser o principal fator agravante dos mesmos, essa medida é temerária e vai na contramão de todas as campanhas por um trânsito e uma cidade mais humanos e seguros. Imagino, por experiência própria, que no primeiro mês após o asfaltamento da via, a Prefeitura receberá diversos pedidos de moradores da rua solicitando a instalação de lombadas para reduzir a velocidade dos veículos.

Do ponto de vista legal, a medida também pode ser questionada, uma vez que a Lei Federal N° 12.587, de 03 de janeiro de 2012, que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, estabelece como princípio básico a segurança no deslocamento das pessoas e institui como diretriz a prioridade dos modos de transporte não motorizados sobre os motorizados. O asfaltamento da via central da cidade é uma medida que visa claramente o contrário, ou seja, a priorização do automóvel.

Mas, mesmo conhecendo essas informações, não foi isso que me causou tristeza. O que realmente me incomoda é o fato de que a principal via central do Município é parte primordial da história do mesmo. Executando uma camada de asfalto sobre o pavimento atual, será enterrada uma pequena parte dessa história e, por consequência, uma pequena parte da história das pessoas que viveram ou vivem na cidade.
Uma cidade não aparece do nada, não se materializa do dia para a noite, uma cidade tem uma história, construída ao longo de muitos anos por muitas pessoas. Conhecendo e preservando essa história, podemos entender melhor quem fomos, quem somos e saber com muito mais clareza para onde queremos ir. Parece uma coisa pequena alguns paralelepípedos em uma rua central de um município do interior, mas acredito que não seja assim. Infelizmente, no Brasil, não temos uma cultura popular de preservação da nossa história e talvez até por isso tenhamos tanta dificuldade em definir uma identidade própria e encontrar as características comuns que nos definam como nação. 

Tenho a esperança de que um dia possa ser mudada essa história e essa consciência seja desenvolvida em grande parte da população. Espero que quando esse dia chegar ainda reste alguma coisa a ser preservada.

Gostaria de deixar bem claro que esse texto não tem qualquer pretensão de realizar críticas políticas ou fomentar qualquer polêmica, apenas resolvi externar meu sentimento e minha opinião em relação ao tema.


“Um povo que não conhece sua história está condenado a repetir seus erros”





sexta-feira, 14 de julho de 2017

Estou de saco cheio do "cidadão de bem"

Direto ao ponto: Estou de saco cheio.

Não aguento mais receber manifestações de pessoas sobre temas polêmicos, sem base técnica e com soluções simples para todos os problemas.

Por exemplo, as crescentes correntes e materiais circulando na internet defendendo a facilitação na compra de armas de fogo pelo cidadão se baseiam em um conceito muito estranho:

Querem colocar uma arma na mão de cada esquentadinho no trânsito; uma arma na mão de cada namorado ciumento; uma arma na mão de cada homofóbico agressivo e isso diminuirá os números da violência. Uau!!! Tudo sempre em nome da liberdade para o “cidadão de bem” se defender.

Nesse caso, “cidadão de bem” é um termo que é utilizado para separar as pessoas por castas. O típico “cidadão de bem” é sempre branco, heterossexual e pertencentes às classes média e alta.

O “cidadão de bem” envia correntes simplistas na internet porque acha que teoria é só “blá blá blá”, e as coisas devem funcionar na prática, lógico que desde que a prática esteja de acordo com seus princípios ideológicos. Por isso que o “cidadão de bem” não gosta de saber a opinião de professores, doutores, filósofos e historiadores. Considera isso perda de tempo.

O “cidadão de bem” reclama do que chama de indústria da multa, pensa que deve ter o direito individual de dirigir bêbado e correr nas vias públicas com seu automóvel, mesmo que isso coloque em risco a vida de outras pessoas. O “cidadão de bem” quer usar sozinho 10 metros quadrados das vias com seu potente automóvel e esbraveja se o poder público destinar um espaço ou dê qualquer prioridade para os usuários do transporte público coletivo, os quais utilizam 0,5 metro quadrado da mesma via cada um.

O “cidadão de bem” acha que os maiores problemas do país são o preço da gasolina e as más condições da rodovia que liga sua cidade ao litoral.

O “cidadão de bem” acha que não deve pagar impostos e que o estado deve ser diminuído, praticamente extinto, mas obviamente tem dinheiro suficiente para contratar saúde e educação privada para seus filhos.

O “cidadão de bem” se delicia quando a polícia invade favelas, atenta contra os direitos básicos das pessoas pobres e executa jovens negros. O “cidadão de bem” acha que direitos humanos são uma bobagem, mas logicamente nunca teve e nunca terá seus direitos mais básicos e fundamentais violados pela força do estado.

O “cidadão de bem” não se diz racista, mas é contra o sistema de cotas. Enche o peito pra falar em meritocracia, como se tivesse tido as mesmas condições de competição que as crianças subnutridas de áreas vulneráveis, agredidas e abandonadas pelo estado. O “cidadão de bem” acha perfeitamente normal que algumas crianças privilegiadas tenham acesso a um tipo de educação e outras acabem se obrigando a receber sua educação de um sistema público precário e abandonado.

O “cidadão de bem” compartilha vídeos do escroto do Danilo Gentili e acha genial.

O típico “cidadão de bem” é egoísta, intolerante e agressivo. Acha que seus direitos individuais estão acima dos direitos comuns. Tem um sentimento de superioridade sobre a “ralé”. Talvez até não seja “por maldade”, talvez a sua mente seja mesmo muito limitada, o deixando incapaz de enxergar a sociedade como a engrenagem complexa que é, incapaz de se colocar no lugar de outras pessoas, conseguindo enxergar apenas seus próprios problemas e enxergando a sociedade de uma maneira tão simples quanto um jogo de futebol: nós contra eles. Mesmo assim, estou de saco cheio.




quinta-feira, 18 de maio de 2017

“Ascensão e queda são dois lados da mesma moeda”




Depois da morte política definitiva do rato Michel Temer e do gangster Aécio Neves, me senti quase que obrigado a escrever alguma coisa, ainda mais depois de tantas manifestações aqui neste espaço sobre o tema.
Então acessei o blog do professor e historiador Juremir Machado e estava tudo lá, tudo escrito de forma sucinta, simples, direta, precisa. Poucas palavras, muito conteúdo.
Depois de ler o texto, entendi que não havia mais nada a ser dito e resolvi simplesmente reescrevê-lo abaixo, colocando em negrito os trechos que considero mais esclarecedores e importantes.


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Ascensão e queda de Temer


Era uma vez um país incapaz de aprender com o passado. Em 1954 e 1964, a imprensa e a direita (Carlos Lacerda e a UDN) manipularam a classe média, denunciando a corrupção, até, no primeiro caso, levarem Getúlio Vargas ao suicídio e, no segundo, Jango ao exílio. Em 2016, o PSDB (sucessor da UDN), a mídia e o PMDB de Michel Temer associaram-se para tomar o poder do PT e de Dilma Rousseff.

A narrativa é simples: cansado de perder eleições, o PSDB incentivou a chegada ao poder por um atalho. Por não poder ir direto ao pote, aliou-se ao PMDB, sempre pronto a qualquer coisa, e usou um pretexto jurídico capenga, as pedaladas fiscais, e o velho pretexto da corrupção, para puxar o tapete de Dilma.

A estratégia foi revelada pelo peemedebista Romero Jucá: primeiro tira Dilma, depois “estanca a sangria da Lava Jato”. Mas a Lava Jato continuou. Há muito que Aécio Neves vinha sendo denunciado na famosa Lista de Furnas, mas a mídia amiga fingia não ver. A seletividade poupava os tucanos. Temer para chegar ao poder prometera as reformas dos sonhos do mercado e da mídia parceira. Tinha imunidade.

A ponte para o futuro, chamada de pinguela por FHC, revelou-se um trampolim para o passado.


Reforma trabalhista e da Previdência capazes de abolir até a lei Áurea.

 
O vaso transbordou. Os delatores começaram a entregar tudo, até o que não deviam.


A própria Lava Jato viu-se ultrapassada pelos fatos. Ouvia o que queria e o que não queria.
Trabalhou-se com provas duvidosas, teoria do domínio do fato, tudo, até a volta das provas tradicionais.

As delações da JBS botaram Aécio e Temer no lamaçal com direito a etiqueta na testa.


As panelas, porém, não soaram como antes.

 
As ruas ainda não se encheram de verde-amarelo.


Acontece que boa parte do discurso contra a corrupção era só antipetismo.

O petismo fez por merecer seu inferno. Mas foi mais odiado pelos poucos acertos que teve.


O inverossímil da história é que alguém tenha acreditado que Temer e seu bando predador poderiam ser a saída moralizadora para o Brasil corrupto de Lula, Dilma e o PMDB do próprio Temer.
 
Por que o Brasil quis se enganar assim? Quem se pensava iludir?


Ou a luta de classes, pois é disso que se trata, justificava os meios empregados?

O governo de Temer acabou estrepitosamente.


O vampiresco Michel é um cadáver político apodrecendo no Planalto.


Será mantido em formol para ter tempo de entregar suas reformas?

Há quanto tempo os “blogs sujos” forneciam elementos ignorados para prisão da irmã de Aécio?
 
Há quanto tempo a imprensa internacional denuncia o golpe no Brasil?
 
Nos jornais globais o clima é de velório. Temer foi aposta midiática e mercadológica.

Uma conveniência suja para “limpar” o Brasil do seu atraso.

Um jogo de cartas marcadas que não contava com a delação de um trapaceiro.


A frase de Temer, “tem que manter isso, viu?”, para o interlocutor da JBS que o informava da mesada para que Eduardo Cunha não abrisse o bico entrará para a história da canalhice brasileira.

Este diálogo será estudado por anos como expressão do coronelismo tropical:

“Joesley: — Se for você pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança.

Aécio: Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho.”

Como ficam aqueles que diziam com orgulho: “Eu não votei no Temer…”

Ter votado em Aécio já não é um atestado de sabedoria moral



O Brasil está na frente do espelho: gangues em luta pelo controle do poder.













Link do blog do Juremir Machado: http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Uma pizza do tamanho da Odebrecht?



Em resumo: O Ministro do STF Teori Zavascki prometeu para o início de 2017 a homologação das delações de executivos da Odebrecht, colhida pelas equipes da operação Lava a Jato, e a quebra do sigilo das mesmas assim fossem homologadas.

Mas, de repente, caiu o avião.

...


Não vou entrar no mérito da tragédia, mas sim do que aconteceu depois.

A Presidente do STF, Ministra Carmem Lúcia, resolve então homologar as delações, atendendo aos anseios da sociedade. Mas, estranhamente, também resolve manter o sigilo sobre as mesmas.

Ao todo são 77 delações homologadas prestadas pelos executivos da empresa. Em uma única delas, que vazou para a imprensa, o nome de Michel Temer aparece 43 vezes, além de nomes do primeiro escalão do governo, como Eliseu Padilha, Moreira Franco, José Yunes, Gilberto Kassab, José Serra, entre outros. Além disso, são citados nas delações quase 200 políticos de vários partidos políticos, incluindo, segundo fontes da imprensa, ex-presidentes, governadores e senadores. Ou seja, essas delações tem o poder de abalar a governabilidade, derrubar a atual governo e causar um grande alvoroço nos bastidores do poder.

Os processos seguiram para o Procurador Geral da República, Sr. Rodrigo Janot. Ele tem a possibilidade de solicitar ao STF a quebra do sigilo das delações. O próprio procurador há pouco tempo defendeu a imediata quebra do sigilo das delações após as homologações, citando que o povo brasileiro tinha o direito de saber o teor das mesmas.

Mas, ao receber os processos, ele mantém o sigilo dos mesmos, sem maiores explicações.


OPA!!!



Espero que meu olfato esteja muito enganado, mas já dá para sentir o cheiro de pizza no ar.


- A QUEM INTERESSA QUE O SIGILO DESSAS DELAÇÕES SEJA MANTIDO?


- Por que os “jornalistas”, analistas e “especialistas” da TV Globo e da GloboNews não estão implorando e esbravejando pelo fim desses sigilos? Apenas o Noblat, do Jornal “O Globo”, defendeu a quebra do sigilo e, ainda assim, bem timidamente em uma postagem de seu blog. O mesmo vale para os colunistas da Folha, Estadão e das revistas Veja, Época e Isto É. Desejo que a resposta para essa pergunta não esteja relacionado com o recente e significativo aumento de verbas publicitárias do Governo Federal para essas mídias citadas (http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/01/governo-temer-recorde-gastos-publicidade.html) .

No Brasil, a grande mídia fazer algumas jogadas e o STF agir politicamente, ora para um lado ora para outro, definitivamente não deve impressionar a mais ninguém. O que eu realmente gostaria de saber, são as respostas para as seguintes perguntas:

- Por que os movimentos que organizaram manifestações recentes, que se diziam apolíticos e independentes, como o tal MBL por exemplo, não colocaram em suas mídias nem uma palavrinha sequer sobre a necessidade de quebra desses sigilos?

Esse mesmo movimento citado, que se intitula “das ruas e para as ruas” organizou uma manifestação recente em defesa da operação Lava a Jato, mas curiosamente o alvo do protesto não foi o Sr. Michel Temer, mas sim o Senador Renan Calheiros. Após tais protestos, o Senador foi afastado por um Ministro do STF. Posteriormente foi reconduzido ao cargo pelo pleno da Corte. Essa recondução ajudou de maneira muito efetiva o andamento da pauta de votações do Governo no Senado e “surpreendentemente” não gerou nenhum protesto desses grupos que antes se colocaram contra o tal Senador.

- Onde estão as manifestações ferrenhas solicitando a quebra do sigilo das delações dos executivos da Odebrecht? Imagino que esse seja o anseio de 99% da população brasileira.

Se não houver um clamor popular muito forte pela quebra desses sigilos, pode ser passada a impressão de que os movimentos e protestos recentes não tinham qualquer relação e intenção de combater a corrupção, mas que foram apenas movimentos políticos orquestrados visando derrubar o Governo anterior por interesses diversos.

A população do Brasil merece saber o teor de todas essas delações. As pessoas merecem saber a verdade. Merecemos que parem de nos tratar como idiotas.

A QUEBRA DESSES SIGILOS DEVE SER IMEDIATA , sob pena de que a operação Lava a Jato continue sendo usada apenas como instrumento de manipulação da opinião pública com fins políticos e não como um importante instrumento de combate à corrupção sistêmica de políticos e grandes empresários brasileiros.

Dessa vez, tenho convicção de que a imensa maioria das pessoas que está lendo esse texto concorda comigo, afinal, interessa a muito pouca gente que o sigilo dessas delações seja mantido.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Carta ao Deputado Vinicius Ribeiro

Prezado Deputado Vinícius Ribeiro;

Não sei se lembras de mim, sou engenheiro da Prefeitura de Caxias do Sul, da Secretaria onde tu foste Secretário por alguns anos.

Após tua passagem por esta Secretaria, mesmo chegando um pouco depois, ouvi muitas coisas boas a seu respeito e depois acompanhei de perto sua mobilização muito positiva e propositiva em relação ao tema "mobilidade" na Assembleia Legislativa. Até por isso sempre te defendi em conversas sobre política, especialmente quando o assunto se referia a transportes e mobilidade.

E é exatamente por isso que escrevo este e-mail com muito pesar, após ver a sua fidelidade absoluta e irrestrita na votação do pacote do Governador Sartori. É lamentável e profundamente decepcionante. 

O Governo Sartori se empenha dia após dia no desmonte de toda estrutura do Estado e joga toda a culpa da crise no trabalhador e no servidor público. Esse "governo" comete atrocidades com trabalhadores, inclusive aposentados, que trabalharam durante toda a sua vida pelas pessoas do Rio Grande do Sul e hoje se obrigam a ter seus salários parcelados, não receberão seu décimo terceiro e, pior, foram ROUBADOS pelo Banco do Estado, que descontou o adiantamento do décimo terceiro desses funcionários sem que os mesmos recebessem o tal salário. É um absurdo, sem dúvida, uma vergonha. Muitas dessas pessoas (inclusive familiares meus) estão negativados nas suas contas por causa dessas medidas, sofrendo um estresse no final da vida, comprometendo sua dignidade. Sabe o que significa isso, Deputado? Talvez tu não tenha percebido a dimensão de tudo isso, mas é muito sério. É a vida das pessoas que está em jogo.

O que mais nos causa repulsa e indignação em toda essa história é que em nenhum momento o governo pensou em combater privilégios ou mexer em generosas isenções fiscais a empresas privadas. Aí fica fácil o Governador aparecer aqui em Caxias, na inauguração da gigantesca loja da Brasdiesel e dizer que "Esse é o RS que funciona". Óbvio que esse é o que funciona, porque a parte pública vocês estão se encarregando de sucatear e destruir. Me pergunto: quem é que ganha com o sucateamento do estado, a insegurança total, a destruição da educação? Embora a maioria das pessoas do estado perde muito com tudo isso, definitivamente alguém deve estar ganhando.

Gostaria de terminar o texto te fazendo um apelo. Que siga o exemplo do seu colega Lasier Martins e ao menos saia do PDT, um partido trabalhista fundado pelo Leonel Brizola que, infelizmente, deve estar terrivelmente decepcionado com o que pessoas como vocês fizeram com o seu partido, ainda mais no estado onde ele nasceu e se projetou.

Peço que ao menos pense um pouco sobre o que te escrevi e, embora jamais votarei em você novamente ou farei campanha positiva a seu respeito, meu respeito e cordialidade pessoais permanecerão.

Certo de sua compreensão e grato pela atenção;

Daniel Rech




quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O CIRCO NÃO PODE PARAR!!!

"Os dias parecem séculos
Quando a gente anda em círculos
Seguindo ideais ridículos
De querer, lutar e poder"

 




Ao me deparar com as surreais e chocantes fotos acima, que mostram o juiz (e herói) da operação lava-a-jato em um evento promovido pela "revista" IstoÉ em São Paulo no dia 06/12/2016 confraternizando alegremente e brindando com políticos tucanos citados nas delações premiadas da sua operação, o primeiro pensamento que tive foi:

- Não pode ser verdade, essas fotos devem ter sido editadas e largadas na internet por algum lunático!!!

Porém, ao verificar que as fotos eram autenticas, imediatamente lembrei de um texto que escrevi há um ano e que continua absolutamente atual.

Gostaria de solicitar aos amigos que leiam com atenção e, se alguém souber de alguma resposta para as perguntas que fiz há no início do texto, peço a gentileza de me comunicar. Acho que TODAS elas continuam, depois de um ano, sem resposta. Segue abaixo o link do texto:

O GRANDE CIRCO MIDIÁTICO E A CONTAMINAÇÃO DOS PODERES DA república.






segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Gestão pífia e a máfia do futebol


Vou escrever sobre um assunto recorrente aqui neste espaço: monopólio de mídia no Brasil. Dessa vez, escreverei especificamente em relação às transmissões do futebol brasileiro na televisão e especialmente aos torcedores do Internacional. Os torcedores do Inter precisam saber o tipo de negócios e contratos que estão sendo assinados no Beira-Rio e a direção do Internacional precisa responder algumas perguntas que, pelo jeito, muitas poucas pessoas sabem a resposta.

Antes de chegar no ponto que quero, vou relembrar uma história que aconteceu em 2005, a qual a maioria dos colorados lembra bem: 

O Internacional liderava o Campeonato Brasileiro quando surgiram denúncias sobre um árbitro que supostamente havia participado de um esquema de manipulação de jogos. Esse árbitro havia apitado 13 jogos do campeonato. O STJD (tribunal de justiça desportiva) informou que investigaria o caso, analisaria as imagens para verificar se houve alguma interferência e tomaria as providências legais cabíveis.

A Rede Globo imediatamente tomou partido e tomou a frente da situação, pressionando em todos os seus programas esportivos pela anulação das 13 partidas, uma vez que essa anulação beneficiaria o Corinthians, clube com o qual a TV Globo tem um retorno comercial muito maior em relação ao Internacional. De repente, o STJD mudou radicalmente de opinião de uma hora para outra e, através de um ato do seu presidente (um desembargador investigo ilegalmente no cargo), sem qualquer análise ou investigação e, muito pior, sem dar qualquer chance de defesa aos interessados, anulou todos os jogos que o árbitro em questão havia apitado, em um ato absolutamente peculiar, jamais visto na história do esporte profissional no planeta. O Corinthians passou, com uma “canetada”, a ser o líder do campeonato e o Internacional passou a ser o terceiro colocado.

Na ocasião, a torcida do Inter protestou muito, mas foi boicotada pela TV Globo. Havia, em um jogo contra o Palmeiras no Beira-Rio, 30 mil colorados usando nariz de palhaço e uma bandeira de 150 metros quadrados solicitando socorro à FIFA. A TV Globo transmitiu o jogo para o Brasil inteiro sem filmar a torcida do Inter uma única vez, como também não citaram os protestos em nenhum dos seus jornais esportivos fora do Rio Grande do Sul. Esse é o grande problema de uma mídia monopolizada. A informação passada às pessoas atende apenas aos interesses dos donos do conglomerado gigantesco de comunicação.

No final da história, os jogos anulados foram repetidos e o Corinthians ganhou 4 pontos que havia perdido, ganhando o título ao final do Campeonato por 3 pontos de vantagem em relação ao Inter. Cabe citar ainda o confronto direto entre as duas equipes, quando o árbitro Márcio Rezende de Freitas não deu um pênalti claro para o Internacional e ainda expulsou o jogador que sofreu o pênalti. No ano seguinte ele se aposentou e foi contratado para ser comentarista de arbitragem. Adivinhem em que canal?

Mais tarde, a justiça comum analisou o caso, não encontrou qualquer indício de manipulação nos jogos e absolveu o árbitro que supostamente havia manipulado resultados. Mas aí o assunto já era passado. A Globo já havia conseguido direcionar o Campeonato Brasileiro de 2005 para o Corinthians. Assunto encerrado.

Mas citei essa história por uma questão muito importante para chegar ao ponto que quero: Na ocasião, o atual Presidente do Internacional, Vitorio Piffero, era o vice de futebol.

Por que o Internacional então não rescindiu o contrato de transmissão de seus jogos com a TV Globo?

Bom, aqui no Brasil há um detalhe curioso, toda a legislação sobre qualquer tema que interesse à Rede Globo, beneficia a Rede Globo. No caso das transmissões esportivas, a lei brasileira é um convite ao monopólio. Diferentemente de vários países desenvolvidos, aqui, para transmitir uma partida de futebol, a emissora deve ter contrato com os dois clubes, e não só com o clube mandante do jogo. Bom, então a Globo, usando seu poder, fecha com os dois clubes de maior torcida do Brasil deixando todos os outros reféns da emissora. Simples assim. 

Cabe ressaltar que, em 2011, o Clube dos 13 (associação representativa dos grandes clubes do Brasil) resolveu finalmente fazer uma licitação ABERTA, com regras claras, como é em TODOS os países do Mundo, para definir quem transmitiria o Campeonato Brasileiro em TV aberta. E...  a associação simplesmente se desmantelou, misteriosamente. Do dia para noite, vários clubes se desassociaram do Clube dos 13 e as transmissões continuaram sendo feitas como sempre foram, com contratos de exclusividade com a TV Globo, sem concorrência.

O tempo passou e chegou ao Brasil uma empresa que resolveu, ao menos na TV fechada, enfrentar esse monopólio e negociar transmissão com alguns times da primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Considerando a história do Internacional que contei acima e considerando quem é  o atual presidente, imaginei que era obrigação do Inter estar na vanguarda desse movimento e fechar o contrato com o canal "Esporte Interativo". Foi exatamente o que aconteceu, mas o Internacional fechou apenas por dois anos (2019 e 2020), sob o argumento correto que, de acordo com o estatuto do clube,  para contratos tão longos havia a necessidade de deliberação e aprovação do Conselho Deliberativo.

Passam-se alguns dias e eis que, surpreendendo a todos, a direção do Internacional subitamente muda suas convicções e fecha um contrato com a Rede Globo a partir de 2021, sem apresentação e discussão no Conselho Deliberativo, e pior que isso, a reunião que estava marcada no Conselho Deliberativo para deliberar sobre o tema teve a sua pauta altarada a, ao invés de deliberação, o presidente do Conselho modificou a pauta para "aprovação" do contrato, não dando tempo para qualquer questionamento dos Conselheiros sobre o tema. 

Informo aos torcedores que alguns grupos de conselheiros estão marcando uma reunião extraordinária do Conselho para questionar e deliberar sobre esse contrato, já que, na prática, o Conselho Deliberativo foi atropelado pela direção, deixando muitas dúvidas e perguntas no ar.

Vou fazer um parêntesis no texto para lembrar que, no Brasil, sempre que um assunto envolve direitos de transmissão esportiva e a Rede Globo, ficam muitas perguntas no ar sem respostas:

- Por que a FIFA faz licitação aberta em todo o planeta para transmissão dos seus eventos, mas aqui no Brasil é sempre entregue de bandeja para a Rede Globo, mesmo essa oferecendo valores menores que a concorrência?

- Por onde anda o executivo Marcelo Campos Pinto, que cuidava dos contratos de transmissão da TV Globo e que depois do FBI deflagrar a operação contra os dirigentes da  FIFA foi mandado embora e "riscado" do mapa?

- Por que todas as tentativas de CPIs do futebol brasileiro acabam se desmontando sem conclusões ou explicações?

- Por que na atual CPI do futebol, que acontece no Senado, a CBF relutou tanto para entregar à comissão os seus contratos com a TV Globo e conseguiu na justiça o direito de não entregá-los? O que escondem esses contratos?

- Por que, antes do FBI desencadear a operação contra dirigentes das Federações, a Globo pagava menos para transmitir a Libertadores da América do que pagava pelo Campeonato Paulista, por exemplo? Como essa conta era possível?

- Por que a TV Globo sempre conseguiu seus contratos de transmissão no Brasil sem licitação aberta e, em muitas ocasiões, oferecendo menos dinheiro que a concorrência?

Enfim, eu poderia ficar aqui horas escrevendo perguntas para as quais não tenho resposta sobre esse tema, mas não é esse o objetivo do texto. O objetivo do texto é questionar a atual direção do Internacional e, para esses questionamentos, sinceramente espero respostas e tenho certeza de que toda a torcida do Internacional as quer:

- Por que um clube que propaganda aos quatro ventos a sua "transparência" nas contas precisa fechar um contrato de transmissão usando os métodos que citei, escondendo os dados até de seu Conselho Deliberativo?

- Se antes o estatuto do clube impedia a direção de fechar contrato de transmissão para 2021 em diante sem aval do Conselho Deliberativo, por que agora foi possível? O que mudou nesse tempo?

- Será que o Sr. Vitorio Píffero foi mesmo vítima do poder da Rede Globo ou é apenas mais um cúmplice desse sistema?

Com a palavra, a direção do Internacional...

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Receita do dia: GOLPE À MODA DA CASA


Cansei de falar sobre política, esse assunto gera muitas discórdias. Então, vou abrir espaço aqui no blog para falar um pouco de culinária. 


Vou apresentar uma receita de um prato típico da América Latina, que vem sendo aperfeiçoado ao longo do tempo, mas cujo resultado final é basicamente sempre o mesmo. Esse prato é bastante tradicional e é servido há muitos e muitos anos no continente.

A receita abaixo é da versão moderna do “golpe à moda da casa”:

 
Esse prato é feito a base de um fruto chamado “não aceitação da democracia”, originário de uma árvore chamada “presunção de superioridade em relação a outros seres humanos”.

Para fazer o prato, pegue o fruto e misture com uma dose de “vingança do presidente absurdamente corrupto da Câmara” e deixe cozinhar em banho maria por alguns meses, enquanto vai adicionando os seguintes ingredientes:

- O congresso mais corrupto e conservador de toda a história da República;
- Uma mídia concentrada, manipuladora, assustadoramente tendenciosa e extremamente desonesta;
- Uma oligarquia egoísta, gananciosa e hipócrita;
- Uma teia de organizações investigativas e jurídicas totalmente direcionadas e com fins políticos;
- Alguns quilos de mudanças repentinas de conceitos e entendimentos de órgãos de controle;
- Várias doses de mudanças repentinas em regras e prazos de votações na Câmara;
- Uma dose de complô para encerrar investigações judiciais e salvar o mandato do presidente da câmara;
- Total boicote a qualquer medida positiva de governo;
- Total desprezo pela democracia;
- E o mais importante dos ingredientes: o “jeitinho brasileiro”. Esse ingrediente é feito com a junção do “total desrespeito a jurisprudências e leis que impeçam que se chegue ao objetivo final” e de “interpretações fantasiosas e inéditas às leis e à Constituição” (atenção, esses dois últimos são muito parecidos, mas são realmente necessários os dois ingredientes para que o prato não desande).

Adicione a gosto altas doses de machismo, ódio, preconceito, manipulação, desinformação, complexo de vira-latas e mais algumas toneladas de hipocrisia.

Deixe cozinhar na panela, em fogo muito alto, por cerca de 1 ano.

Atenção: nessa fase pode parecer que o prato não está bonito, mas a ideia desse prato é essa mesma, ou seja, quanto pior, melhor.

Para estabilizar a mistura e não estragar o prato, devemos colocar “aumentos salariais generosos” e “vergonhosa conivência do Supremo ”. Esses dois ingredientes geralmente são adquiridos juntos, na mesma embalagem.

Pronto. Desligue o fogo e o prato está pronto para servir, mas muita atenção, esse prato nunca pode ser servido sozinho, é sempre acompanhado de “ataque aos direitos trabalhistas”, "ataque à Previdência",  “fome”, “miséria”, “injustiça social”,  “sucateamento da saúde e educação”, “desmonte da máquina pública”, “desamparo à população de baixa renda”, “intervenção no judiciário”, “impunidade”, “entrega do patrimônio nacional”, “subserviência”, “fim da soberania nacional”, “imensas reservas para superavit primário agradando aos velhos especuladores abutres” e, lógico, muita pizza.

Detalhes importantes:
Eu utilizei a nomenclatura internacional para o prato, que é conhecido dessa forma em todos os locais civilizados do planeta, sem exceção. Entretanto, especificamente aqui no Brasil, em alguns locais, como nos jornais e revistas da grande mídia, é apresentado com outro nome.

Outro detalhe importante é que o prato é extremamente amargo para a gigantesca maioria das pessoas, mas, ainda assim, é realmente apreciado por alguns.

BOM APETITE!!!!
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CHARGE PUBLICADA NO THE NEW YORK TIMES EM 26/08/2016


Karl Marx

A assinatura da farsa: O próprio senado ficou com vergonha de condenar uma pessoa que não cometeu crime e, embora a lei seja muito clara e diz que quem sofre impeachment deve perder os direitos políticos por 8 anos, foi feita uma votação em separado e não foram retirados os direitos políticos da Presidente Dilma.